Mapping Humanitarian Visa Policy In Brazil. Financiada por: UK Research and Innovation Council, UK-Brazil Global Talent Grant. 2024-2025

Humanitarian visas (HVs) increasingly receive more attention from international organisations such as the United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR), politicians and other organisations as a solution to unsafe routes and as an alternative answer to the increasing mistrust on the asylum system in some countries. While HVs are framed as a complementary pathway for protection in the Global Compact for Refugees (2018), we still need more studies on their definition and how different stakeholders evaluate their effectiveness in a given context, and the role they play in the HV policy cycle. Brazil is the perfect case to do that because the country has been granting HVs for more than 12 years now and has a complex stakeholder map, with civil society, government bodies, and UN agencies sharing policy spaces. This project will answer the questions: How do different stakeholders perceive and evaluate Brazil’s humanitarian visas (HVs) policy (facilitated visas that allow people to arrive in the territory and receive some international protection)? What can other countries learn from that? To answer these questions, we aim to establish and consolidate a diverse and interdisciplinary network of collaborators to advance knowledge about HVs in Brazil.

Equipe: Patricia Nabuco Martuscelli – PL (University of Sheffield), Natália Cintra de Oliveira Tavares – PcL (University of Southampton), Svetlana Ruseishvili – PcL(I) (Federal Unviersity of São Carlos), Rafael Faustino Oliveira – RA (Federal Unviersity of São Carlos), Ana Maria Gomes Augusti – RA (Federal Unviersity of São Carlos).

Partos e passaportes: mobilidades de parto e cidadania estratégica no Brasil contemporâneo
Financiado por: FAPESP. 2023-2025.

O objetivo deste projeto de pesquisa é investigar as “mobilidades de parto” (“turismo de parto” como é chamado no senso comum) como um caminho para a cidadania estratégica. O fluxo crescente de mulheres estrangeiras que vêm para dar à luz em países cuja cidadania é gerida pelo princípio de nascimento (jus soli) para adquirir o passaporte daquele país tem chamado atenção das autoridades migratórias e da mídia nos países americanos. A presente pesquisa visa preencher as lacunas da literatura científica sobre a cidadania estratégica ao: i) abordar as práticas reprodutivas como caminho para adquirir cidadania adicional por nascimento, e ii) introduzir o elemento gênero no debate, já que esta aquisição de cidadania é condicionada à capacidade reprodutiva do corpo feminino. O projeto empregará uma diversidade de métodos qualitativos (revisão de literatura e documentos, entrevistas com sujeitos envolvidos na prática de mobilidade de parto, observação participante, escuta nas redes sociais e questionário on-line) para reunir uma grande variedade de dados que nos permitirá analisar de forma abrangente a prática da mobilidade de parto de mulheres russas no Brasil. Como hipótese central, defendo que a mobilidade de nascimentos resulta da subjetividade neoliberal que transforma os significados tradicionais do pertencimento nacional e do parto. Da categoria prescrita, o pertencimento nacional se transforma em um recurso no contexto da insegurança gerada pelos conflitos geopolíticos e a crescente desigualdade global. Do evento biológico passivo, o parto se transforma em uma prática que visa maximizar os lucros, entendido não apenas no sentido econômico, mas numa dimensão de cuidado.
Equipe: Svetlana Ruseishvili – pesquisadora responsável, Ana Maria Gomes Augusti – bolsista

De onde virá o socorro? A atuação da Global Kingdom Partnership Network junto a deslocadAs ucranianAs no Brasil

Esta pesquisa, que conta com financiamento CAPES, investiga em que medida o auxílio de organizações religiosas a pessoas em deslocamento forçado é condicionado por uma expectativa de fidelidade ou adesão religiosa. Para tanto, será analisada a atuação da Global Kingdom Partnership Network (GKPN), uma rede internacional de líderes evangélicos fundada por um pastor brasileiro e que mobiliza milhares de igrejas em todo o mundo, junto a ucranianos que vieram ao Brasil após o início da guerra na Ucrânia em 2022. Considerando o proselitismo religioso como conceito central que conduz análise, a pesquisa tem como principal instrumento metodológico a análise sociológica do discurso, a ser realizada junto a comunicações da organização e entrevistas semiestruturadas com lideranças, visando reconstruir retroativamente as ações e motivações no auxílio aos deslocados. Espera-se contribuir para a compreensão dos fatores e motivações envolvidos na crescente atuação de organizações evangélicas junto a pessoas em deslocamento forçado.

Pesquisador: Rafael Faustino. Orientadora: Svetlana Ruseishvili

Incorporação migrante e a reprodução social: um estudo a partir de mapas sociais de mulheres migrantes no interior de São Paulo

A presente pesquisa, fruto do trabalho de Iniciação Científica em Sociologia financiada pelo CNPq, buscou compreender como a carga de trabalho do cuidado exercido por mães migrantes impacta a obtenção de empregos no Brasil. A análise se baseou teoricamente no conceito do capital social e partiu do pressuposto que vínculos em maior quantidade e qualidade propiciam maiores oportunidades de incorporação laboral para migrantes no país de residência. Portanto, a hipótese consistiu na ideia de que o cuidado com crianças menores dificulta que mulheres desenvolvam os vínculos necessários para obter emprego – especialmente no contexto migratório. O caso empírico analisado foi de mulheres migrantes latino-americanas residentes numa cidade média do interior de São Paulo. A pesquisa, de caráter qualitativo, empregou, de forma inovadora, duas técnicas: entrevistas sociológicas semiestruturadas e sociogramas – representações visuais de diferentes tipos de vínculos sociais que as participantes da pesquisa elaboraram de forma participativa. Ao todo, foram produzidos e analisados 15 sociogramas e 6 entrevistas. Os dados empíricos confirmam a hipótese de que as mães migrantes possuem menos vínculos que outros grupos. A pesquisa aprofunda o debate sobre “penalidade da maternidade” no contexto migratório, já que, além de ter efeitos negativos sobre o crescimento profissional das mulheres, a carga reprodutiva dificulta as mulheres migrantes a desenvolverem vínculos que possam ser convertidos em emprego remunerado, afinal, enquanto 26,6% dos vínculos ajudaram não-mães a conseguir emprego, apenas 5% ajudaram as mães. O estudo reforça a importância de políticas públicas voltadas à primeira infância e à integração laboral dessas mulheres.

Pesquisadora: Ana Maria Augusti. Orientadora: Svetlana Ruseishvili

Imigração russa no Estado de São Paulo na primeira metade do século XX: uma reconstrução histórica através dos registros dos eventos vitais

A pesquisa tem por objetivo preencher lacunas no conhecimento sobre grupos de imigrantes russos no Estado de São Paulo na primeira metade do século XX, dando continuidade para a pesquisa “Ser russo em São Paulo: os imigrantes russos e a (re)formulação de identidade após a Revolução bolchevique de 1917”, realizada com apoio do CNPq (Ruseishvili, 2016). Para isso, são priorizadas as fontes de dados alternativos, a maioria dos quais é redigida em idioma russo e contida nos acervos particulares – registros paroquiais de óbitos, batismos e matrimónios. Assim, a pesquisa buscará a: i) realizar inventário, sistematização e digitalização dos registros paroquiais das igrejas russas em São Paulo; ii) criar um Banco de dados produzidos a partir dessas fontes e iii) por meio de sua análise ancorada nos métodos da demografia histórica, complementada pelos dados trazidos de outras fontes, realizar uma reconstrução histórica das características sócio-demográficas e de mobilidade espacial dos imigrantes russos no Estado de São Paulo na primeira metade do século XX.

Observatório da migração venezuelana no interior do estado de São Paulo

O presente projeto de pesquisa se desenvolve em parceria com a equipe de trabalho da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da UFSCar e tem por objetivo monitorar a transferência dos migrantes venezuelanos do estado de Roraima para o interior do estado de São Paulo, conhecida como “interiorização”. Desde a sua criação, em 2018, a estratégia idealizada pelo Governo Federal e apoiada pelas organizações internacionais (OIM, ACNUR) e governos estaduais e municipais, a interiorização já transferiu de Roraima mais de 10.000 pessoas. Um dos atores não-governamentais importantes para a realização da interiorização são as organizações religiosas. Esse projeto visa compreender a atuação desses agentes na interiorização dos venezuelanos, assim como monitorar os processos de inserção cultural, linguística e laboral desses migrantes nos municípios em questão.